Reformulando um artigo antigo...
Uma das últimas vezes que João viu Jesus ele estava com os
braços abertos, cabeça baixa, corpo estraçalhado e marcado com o furor dos
açoites, coberto de sangue. Muito sangue.
Entre duas cruzes.
Ele estava ali, no sopé do madeiro, testemunhando o
martírio de seu mestre e amigo, alquebrado, contemplando-o morrer...
Não era, em sua concepção, uma boa perspectiva.
Seu Mestre morto.
[...]
Mas, segundo reza a lenda ao terceiro dia ele ressuscitou. Tal
qual Hórus, Attis, Krishna, Dionísio, Mitra e outros dentro deste
arquétipo do mito do messias e deuses solares.
E de acordo com isso as perspectivas começaram a melhorar em
novos e talvez grandiosos desdobramentos.
Anos mais tarde, João estava em Patmos, à ilha. E
supostamente viu Jesus de novo.
Mas não era mais o Mestre que ele via como o Homem
de Dores, mas sim o Mestre transfigurado.
Entre os castiçais.
E com aquilo que ficou sendo, de acordo com a tradição cristã,
suas próprias palavras, ele disse:
E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem,
vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto
de ouro.
E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a
neve, e os seus olhos como chama de fogo.
E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem
sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas.
E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía
uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua
força resplandece.
E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre
mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último.
E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.
E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.
AP 1. 13-18


Clique aqui para voltar ao início