Sai cedo do serviço naquele dia. Havia acabado de receber e
estava feliz pacas, a caminho da casa da minha namorada. Lucia, linda, perfeita.
Ela me esperaria dali há algumas horas, quando sairíamos para fazer um programa
qualquer, cinema provavelmente, já que ela queria muito ver aquele filme que
não me lembro o nome.
Entrei em sua rua imaginando a cara de surpresa que ela iria
fazer ao me ver. Era uma das ruas principais do bairro e muito extensa e ela
morava lá no final com seus pais, seu irmão Marquinhos e uma gata siamesa
chamada Lili.
Continuei andando e cumprimentando algumas pessoas que já se
familiarizavam a mim por ser o namorado dela e já estava quase passando pela
casa dele, Carlos André, o ex-namorado dela.
“Droga! Ele tinha que morar na mesma rua que ela?” Era o que
sempre pensava.
Prossegui. A casa estava do outro lado da rua e olhei em sua
direção quando vi, através de uma janela, uma cabeleira vermelha, similar a
dela (visto que havia pintado a dois meses de vermelho) dentro do que presumi
ser o quarto dele.
--Não pode ser...! Falei baixinho. Atravessei a rua. O muro
era baixo, batia em meu peito, olhei para dentro do quarto e pude ver, era
mesmo ela e beijando ele...
Voltei a mim. Nossa viajei! Eu imaginei tudo isso em um
instante, no momento que vi a casa dele. Que doideira.
Passei então pela casa dele, rindo de mim mesmo e fui ver
ela.