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""O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.""

Dualidade

Ele queria ser engolido por uma fenda atemporal. Sim! Ele iria venerar qualquer que fosse a causa, força motriz ou fenomenologia que criasse uma ruptura anômala no tecido do espaço e sugasse-o pra dentro de um vórtice de infinitas dimensões para se perder por lá. Ele gostaria... Em algumas ocasiões. Em outras ele desejava apenas viver, encarar a realidade e tentar ser feliz com o que tinha e com o que era. Dualidade...
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O som da Gaita

Ela escutou o som da gaita ao longe e reconheceu os bends aspirados que ele adorava fazer. Assim, ela olhou para onde presumiu ser a direção de onde provinha a melodia, mas não o viu. 

Girou 360 graus sentido horário e nada dele e de sua gaita. Então percebeu que ele não estava nas redondezas mas dentro de sua memória tocando aquela canção, uma levada de um blues tristonho e se lembrou que era a mesma de quando virou as costas dizendo que era o fim, deixando-o arrasado. 

Todavia, ele está livre dela agora que o tempo passou, ela não; pois ele e o som de sua gaita não lhe sai da cabeça...
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Não somos mais indizíveis

Erigi um muro dimensional entre e aquilo que compõe todo apanhado de peculiaridades e propriedades que formam você e o conjunto de estranhezas e complexidades que se percebe ente a ponto de proferir: eu.

Não somos mais indizíveis. 

É como se houvesse um universo entre nós, repleto de buracos negros e distâncias medidas como anos-luz.

Agora sim, talvez eu consiga te esquecer. Talvez...
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Como escrevo

[Rotina de escritor independente: Uma folha de papiro e uma pena, por favor. Serve pergaminho também, dura mais.] 

Uma amiga, outrora, me perguntou como escrevo. Achei a pergunta redundante e pensei em responder: com a mão, ora (rsrs). Mas sabia que ela estava se referindo a métodologia. O que se segue é mais ou menos o que lhe respondi...

É bem simples! Não sigo e nem bolei nenhum método. Só escrevo e a moda antiga ainda, com papel e caneta. Em cadernos de uma, três, cinco ou dez matérias e as vezes em agendas velhas, nunca utilizadas que ganho. Com esferográficas quebradas com as mordidas de meu filho de 13 anos. 

Basicamente assim. Escrevo sentado, deitado em pé e/ou no bloco de notas do meu celular quando não disponho de papel/caneta, tem o pc também, mas só como última alternativa. De pequenos textos como esse até a linguagem técnica de um artigo e claro os meus livros, tudo a mão, manuscrito. Gosto assim. Acho melhor...
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A casa do ex-namorado dela


Sai cedo do serviço naquele dia. Havia acabado de receber e estava feliz pacas, a caminho da casa da minha namorada. Lucia, linda, perfeita. Ela me esperaria dali há algumas horas, quando sairíamos para fazer um programa qualquer, cinema provavelmente, já que ela queria muito ver aquele filme que não me lembro o nome.

Entrei em sua rua imaginando a cara de surpresa que ela iria fazer ao me ver. Era uma das ruas principais do bairro e muito extensa e ela morava lá no final com seus pais, seu irmão Marquinhos e uma gata siamesa chamada Lili.

Continuei andando e cumprimentando algumas pessoas que já se familiarizavam a mim por ser o namorado dela e já estava quase passando pela casa dele, Carlos André, o ex-namorado dela.

“Droga! Ele tinha que morar na mesma rua que ela?” Era o que sempre pensava.

Prossegui. A casa estava do outro lado da rua e olhei em sua direção quando vi, através de uma janela, uma cabeleira vermelha, similar a dela (visto que havia pintado a dois meses de vermelho) dentro do que presumi ser o quarto dele.

--Não pode ser...! Falei baixinho. Atravessei a rua. O muro era baixo, batia em meu peito, olhei para dentro do quarto e pude ver, era mesmo ela e beijando ele...

Voltei a mim. Nossa viajei! Eu imaginei tudo isso em um instante, no momento que vi a casa dele. Que doideira.
Passei então pela casa dele, rindo de mim mesmo e fui ver ela.

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O fim

"A conjuntura toda foi configurada para libertá-la de mim mesmo [...]. Destarte, construí uma mitologia com argumentos baseados em experiências passadas, usando toda representação como meias verdades não aplicáveis ao agora e cuja ocorrência havia sucedido em algum ponto de meu passado ainda próximo e até o artifício de mentiras deliberadas usei. E o efetuar tudo isso como um script soou traiçoeiro, bem sei, mas tive que burlar escrúpulos para manter e desenvolver a trama. Já havia me intrometido demais e tal invasão em seu mundo havia alterado todo seu modus vivendi, causando sérias implicações em sua vida. Ontem... Hoje... Não mais. Sei que não era esse o fim que desejávamos. Mas fim é fim. Sempre acaba no final. Esta é sua principal premissa..."
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Lúcifer - O substantivo que se tornou um nome

Texto e edição: Veda Syon


O substantivo lúcifer

A idéia de o substantivo lúcifer ser o nome do diabo cristão surgiu em Isaías/ Yeshayahu 14.12 que diz:

“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações.”
Almeida Revista e Corrigida (ARC)
.
Na Vulgata, a tradução da Bíblia do Hebraico e Grego para o Latim popular ou vulgar, se preferir, feita por Jerônimo (347-420 EC) e publicada em cerca de 400 EC poucos anos depois de Teodósio Primeiro ter feito do cristianismo a religião oficial do Império Romano através do Édito de Tessalônica em 380 EC.


A origem do equívoco

Na Bíblia Hebraica traduzida por David Gorodovits e Jairo Fridlin o passuc (verso) Isaías 14.12 é exposto da seguinte forma:

“Como despencaste do céu, ó estrela da manhã, filho da aurora! Como foi derrubado por terra o que ditava sortes sobre as nações!”

Na Vulgata o mesmo verso se encontra na seguinte maneira:

“Quomodo cecidisti de caelo lúcifer, qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes.”

No texto massorético da BHS (Bíblia Hebraica Stuttgartensia) está registrado como segue abaixo:

“êyh nafaltâ mishâmayim hêylêl bem-shâhar nigdda‟tâ lâ„arets hôlesh ‟al-gôyim.”


Tradução Interlinear:

estrela resplandecente desde os céus caíste como

sobre os povos enfraquecias para terra foste cortado filho da alvorada.


Conclusão e definição do substantivo lúcifer

O que Jerônimo fez foi traduzir a expressão hebraica “hêylêl bem-shâhar”, como lúcifer, um substantivo derivado do latim lux fero que quer dizer portador de luz e representa a estrela da manhã, a estrela D’Alva, o planeta Vênus e provém de uma raiz que significa "brilhar" (Jó 29:3), e aplicava-se a uma metáfora aplicada aos excessos de um "rei de Babilônia". Tal substantivo ocorre seis vezes na Vulgata, e apenas uma vez na tradução em português de Figueiredo que manteve o termo sem tradução para o português:

"Como caíste do céu, ó lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?"


E note que não é nem com letra maiúscula, como um nome, de fato, deveria ser escrito.

Bons estudos sempre!


Bibliografia

Latin Vulgate Holy Bible. Old Testament. Versão PDF editada por R.S. Chaves. ?: ?, ?
Latin Vulgate Holy Bible. New Testament. Versão PDF editada por R.S. Chaves ?: ?, ?
Bíblia Hebraica. São Paulo: Editora e livraria Sêfer, 2006
Bíblia Hebraica Stuttgartensia. Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007
Bíblia Sagrada ARC. São Paulo: Geográfica, 2011
Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 1990
Neto, Prof. Pr. José Ribeiro. Uma análise da origem do nome lúcifer. ?: ?, ?
Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000
Rosário, Miguel Barbosa do. Latim básico. ?: ?, ?
Dicionário de Latim. Jurídico. ?: ?, ?
________________


"Se você tomar a pílula azul, a história acaba, você acorda na sua cama e acredita em tudo aquilo que quiser acreditar. Mas se tomar pílula vermelha, você fica no País das Maravilhas e eu te mostro o quão fundo pode ser a toca do coelho."


É permitida a reprodução, desde que mantido no formato original e mencione as fontes.
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A senda do existir

Apenas trilhando a senda do existir
Cruzei seu caminho [mas desde então tenho mudado sua trajetória]
Nos encontramos, nos conhecemos, nos apaixonamos
Dez anos atrás e dez anos depois
Tudo de novo e a mesma similaridade em tudo
Tanto que às vezes parece até sina [embora “destino” soe melhor]
Precisamos encontrar uma saída ou uma entrada definitiva
Longe, talvez. Perto, melhor. Juntos, perfeito...
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Dorme e sonha!

Você deve estar dormindo... 

Talvez esteja passeando agora em alguma paisagem onírica ornada de simbolismos multifacetados do sonhar. 

Uma paragem mental cheia de beleza imaginativa. Cheia de vida pulsando em luzes multicoloridas. 

Como eu queria estar ao seu lado agora para te observar enquanto dorme e sonha... 

Como gostaria de entrar em sua mente e contemplar todo o maravilhoso panorama de sua psiquê... 

Dorme e sonha anjo... 

Dorme e sonha.

E sonha comigo.
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Emoções de Junho

Está se findando o melhor mês do ano até agora. O melhor mês de muitos meses, na realidade. Desde o primeiro dia até este último tudo foi sentido e executado de forma extraordinária. Cada experiência vivida foi deliciosamente saboreada. Os encontros e conversas com amigos e conhecidos foram amplamente aproveitados/as e situações das mais diversas vividas ao máximo.

Houve alegria, houve tristeza, houve reencontros, houve amizades [antigas e novas], companhia, diversão, romance e etc. Sobretudo houve vida seguindo e fluindo no curso do existir sendo.

Sou grato ao Eterno por esses 30 dias, pois em cada um deles tive a oportunidade de viver/existir e coexistir com meus semelhantes nesta grande congregação que é o planeta Terra.
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Girando a roda do tempo

Girando a roda mística que marca o tempo tal como ampulheta em analogia. Fomos, você e eu, destinados a viver na mesma época, coexistindo no mesmo espaço físico. 

Ontem você estava aqui, dividindo o mesmo ambiente comigo e todo o continuum se apequenou a medida que você crescia e prevalecia sobre tudo ao meu redor tornando-se o foco absoluto de todo amalgama de complexidades que compõe o ente/ser chamado de eu em mim mesmo...

Mas a distancia, uma vez mais, criou um vácuo dimensional entre nós [longitude]. Entretanto, ainda te sinto aqui e a percepção disto sobrepuja a razão que se dobra a sensação pujante do sentimento mais febril de todos [...].

A roda do tempo continua girando...

E qualquer hora dessas nos vemos de novo [espero/anseio].
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Recordações

E agora só posso te ver em minhas lembranças. Recordações cristalizadas de outrora. Onde cada entardecer leva consigo um elemento da paisagem mental mesmerizando a imagem. Embaçando um sorriso seu. Desfocando uma ênfase. Temo o dia em que não mais poderei lembrar de seu rosto...
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Seu quadro

Peguei a tela 22/27 em branco que havia comprado dias antes. Meus três pincéis preferidos. Três bisnagas de tinta a base de óleo nas cores preto, branco e magenta. O branco era mais usado e decorrente isso o tubo estava quase no fim. Não uso cavalete para apoiar a tela, pinto sentado com a mesma sobre as pernas ou de pé recostando-a em alguma coisa, tanto faz, onde for mais cômodo. Fui preparar a tinta...

Um pouco de branco, um pouco de preto, mistura e zás: lá estava o cinza. Fiz três tons de cinza. Um claro, um intermediário e um mais escuro. A paleta de polietileno que tinha me permitia fazer isto em repartições diferentes.

A memória viva de seu rosto vislumbrado de diferentes perspectivas em minha cabeça. O pincel na mão. Os primeiros traços. Primeiro o contorno do seu rosto. Depois olhos, nariz, boca, cabelos; esboço pronto. Agora a cor. A primeira camada de cinza, o claro. A segunda camada de cinza, o intermediário. E a terceira camada, a de cinza escuro, seria aplicada depois para preencher o fundo da moldura.

Espremi o tubo de tinta magenta em dois espaços vagos na paleta e em um deles misturei com um pouco do cinza claro para pintar o cabelo. Com magenta pura pintei a íris dos olhos e os lábios. Cobri parcialmente o fundo com o cinza escuro contrastando com o intermediário, minha assinatura no canto inferior esquerdo e pronto; você estava lá, seu rosto, pelo menos. A representação mais fiel que já pintara.

Eu não o queria, pois fiz para você [bem sabe] e até ficou com ele durante algum tempo, mas depois trouxe de volta e nem lembro mais o que disse; só sei que estávamos terminando pela centésima vez...

Já faz quase 10 anos que pintei seu quadro. Olho para ele todos os dias. Ainda está lá na parede. Um dia tomo coragem para jogá-lo fora...

P.S. [13/11/14]
Finalmente consegui! Joguei-o fora. E me senti bem ao fazê-lo...
 
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