Não existe
mais a possibilidade de me valer de termos meramente humanos e a arcaísmos de
uma linguagem literária refinada para explicar isso... É algo que reside em
outra esfera de realidade, estranhamente mais plausível do que todas as
tentativas de discernimento disso e daquilo, proferidas, pensadas ou argüidas
durante mais de uma década.
Poderíamos
então nos vestirmos do arrojo da decisão de buscar uma satisfação para essa
questão fora da linearidade cíclica disto que chamamos de realidade? Podemos
tentar, já que somos a isto impelidos com uma propulsão tardia como revés da
frustração por não haver resposta que nos elucide.
Com o tudo
mais esgotado, resta uma última percepção: a idéia transcendental e mística de
que estamos apaixonados pela alma um do outro. Talvez seja por isso que o tempo
que é algo desta realidade não consiga apagar o que sentimos e pelo modo como
sentimos e reagimos a isso. Parece mesmo ser algo de outro mundo, outra
realidade ou em um termo mais apropriado; outra dimensão... O macrocosmo
espiritual além da vida e da morte, de maneira que das centenas de vezes que
disse, cantei e escrevi que te amava estava dizendo que amava sua alma, aquilo
que realmente é, sua essência verdadeira momentaneamente presa a este invólucro
de carne, músculos e ossos.
Se o amor
de alma for eterno, isto explica muita coisa. Você já ouviu falar do conceito
de almas gêmeas? Certamente, mas não segundo o Judaísmo, não segundo a Qabalah
judaica.
A Qabalah
no livro do Zohar diz que no plano espiritual a alma tem ao mesmo tempo uma
energia masculina e uma energia feminina e quando uma alma desce para o plano
físico para o propósito de correção ela se divide em duas metades, o aspecto
masculino se veste em um corpo de homem e o aspecto feminino se veste em um
corpo de mulher. E estas duas metades separadas são as almas gêmeas.
Se isto
explica nossa situação, se somos metades de uma única alma, por que então não
podemos ficar juntos e assim nos completar? Talvez porque tenhamos que obter o
mérito para tanto ou quem sabe ainda não seja o tempo determinado pelas Alturas
para que isto ocorra (?)...
Eu nem sei
mais.
Mas ainda
te amo...
Amo a sua
alma!
Autor
Veda Syon
(Thomas Aner)
Post Scriptum:
Este texto
nasceu em decorrência de uma situação real como última tentativa de tentar
explicar um amor que o passar do tempo e a distância não conseguiam apagar. Mas
que agora já fora resolvido, pois pelo menos um destas duas pessoas deixou de
amar a outra ou pelo menos acha que conseguiu.