*Este Post foi publicado pela primeira vez em algum dia tristonho de 2011 em meu antigo e extinto blog Mente Arcana e é uma das poucas postagens que trouxe de lá...
**E este post carece de uma atualização, pois o Monstro ganhou novas histórias na HQ Novos 52.
Em 1994 eu era um guri de 12 anos e amava ler quadrinhos, meus preferidos eram os heróis da Marvel Comics. Aqui no centro de Vitória, na Praça Oito, existe a Banca 8 que naquela época vendia revistas usadas e era meu princípal portal para o mundo das HQs. Todo dia eu comprava ou trocava uma revista lá.
Foi lá que eu me deparei com o numero 8 da revista Monstro do Pântano (essa mesma aí da imagem abaixo). Eu colecionava também algumas revistas de terror de editoras pequenas e o título somado a capa sensacional fez com que eu a adquirisse... Quando comecei a ler, percebi que estava diante de um novo conceito de HQ.
Foi ali que conheci o Monstro Do Pântano, foi ali que conheci Alan Moore.
No dia seguinte retornei à Banca 8 e achei novos números para minha coleção. Essa revista me influenciou de uma forma incrível, inserindo novas palavras a meu vocabulário, aumentando minha percepção das coisas e aprimorando meu intelecto. Ela e Alan Moore moldaram em grande parte o meu estilo de escrita...
O início
O Monstro do Pântano (Swamp Thing) foi criado em 1971 por Len Wein e Bernie Wrightson e sua primeira aparição ocorreu nas páginas da revista The house of secrets 92.
O nome do Monstro era Alec Olsen e a trama se passava no começo do século 20. A história fez sucesso e devido a isso foi pedido aos criadores que atualizassem a trama, trazendo-a para os tempos atuais e que fosse mais heróico.
As fases
Ao longo das décadas a série sofreu por várias transformações passando por quatro fases. A primeira citada acima. A segunda na década de 80, quando o mestre Moore imortalizou o personagem. A terceira em 2000, sob o comando de Brian K. Vaughan (Ex-machina). E a quarta e última em 2004.
O Monstro e Moore
Tudo o que o Monstro representa e é hoje, deve-se ao talento de Alan Moore. Ele assumiu o comando da revista (que estava a beira do cancelamento) a partir da história "Pontas soltas", edição 20 e logo na edição seguinte "Lição de anatomia" mostrou a que veio, revelando aos fãs que a criatura não era o ex-cientista Alec Holland, mas um deus vegetal que pensava ser Holland.
Com Tramas que abordavam temas como meio ambiente, proliferação nuclear e ocultismo a HQ se popularizou e foi aclamada pela crítica e público. Foi a revista mais vendida na época, a mais premiada e foi ela que abriu caminho para o selo Vertigo.
Ao longo das edições e revoluções que Moore fazia no personagem, de tão sofisticada que ficavam as histórias, a DC colocou na capa da revista o seguinte aviso: "Para leitores adultos". Uma péssima decisão, que desagradou Moore e o fez abandonar o título tempos depois.
O Monstro no Brasil
O Monstro apareceu aqui em 1986 na revista Os novos Titãs 4 com a consagrada história "Lição de anatomia"(Swamp Thing 21).
O pessoal da editora Abril soube do frenêsi que a revista havia causado lá fora e inseriu novas histórias na revista Superamigos, lançando também uma edição especial na revista Super Powers.
Obviamente o sucesso não tardou vir e o Monstro ganhou sua própria revista aqui no Brasil em Janeiro de 1990.
"Essas são as águas turvas... e ao seu redor as frutas nunca foram provadas. Bonitas e envenenadas, espero que você não se perca e que as delicadezas vívidas e tóxicas ao seu redor agrade o seu paladar."
Alan Moore